Ir à leitura

OS EVANGELHOS · UMA LEITURA FRATERNA

A incredulidade
dos apóstolos

A fé também
aprende a caminhar.

Mesmo junto de Jesus, houve medo, dúvida e passos ainda inseguros. A fragilidade aparece. O chamado permanece.

Entrar nesta leitura

20 PASSAGENS · SETE ARTES POR PASSAGEM

NO MESMO BARCOARTE NEχUS

UMA HUMANIDADE QUE RECONHECEMOS

Eles também.
Nós também.

Mesmo perto de Jesus, seus escolhidos conheceram medo, dúvida e dificuldade de compreender. Contemplar esses relatos é reconhecer companheiros de caminho: sua humanidade também é a nossa.

Jesus ensina, estende a mão, oferece a paz e renova a missão. A fé pode amadurecer na fragilidade, sustentada pela graça.

Algumas cenas mencionam pouca fé; outras, confiança ou compreensão em formação. O medo e a pergunta sincera, por si sós, não autorizam julgar a fé de alguém.

UM CAMINHO PELOS QUATRO EVANGELHOS

Onde a fé
encontra seu limite.

Escolha uma passagem ou siga a leitura. Os relatos paralelos aparecem reunidos; cada unidade tem sete obras próprias.

  1. 01

    Quando o amanhã ocupa todo o coração

    Mateus 6,25–34 · Lucas 12,22–32

    fé explicitamente questionada
  2. 02

    A tempestade e a presença que parecia silenciosa

    Marcos 4,35–41 · Mateus 8,23–27

    fé explicitamente questionada
  3. 03

    Cinco pães diante de uma multidão

    João 6,1–15 · Marcos 6,30–44

    confiança em formação
  4. 04

    Pedro entre o passo e o pedido de socorro

    Mateus 14,22–33

    fé explicitamente questionada
  5. 05

    A confiança que precisa aprender novamente

    Marcos 8,1–10 · Mateus 15,32–39

    confiança em formação
  6. 06

    Quando a preocupação encobre a memória

    Mateus 16,5–12 · Marcos 8,14–21

    fé explicitamente questionada
  7. 07

    A palavra difícil e a decisão de permanecer

    João 6,60–71

    confiança em formação
  8. 08

    Pedro ainda não compreende o caminho da cruz

    Mateus 16,21–23 · Marcos 8,31–33

    confiança em formação
  9. 09

    Ver a glória e ainda precisar compreender

    Marcos 9,2–13 · Mateus 17,1–13

    compreensão em caminho
  10. 10

    A missão também ensina a depender

    Mateus 17,14–20 · Marcos 9,14–29

    fé explicitamente questionada
  11. 11

    O anúncio que ainda não conseguem acolher

    Marcos 9,30–32 · Lucas 9,43–45 · Mateus 17,22–23

    compreensão em caminho
  12. 12

    A caminho de Jerusalém

    Lucas 18,31–34

    compreensão em caminho
  13. 13

    Tanto tempo juntos, tanto ainda por conhecer

    João 14,1–11

    fé explicitamente questionada
  14. 14

    A fé professada diante da hora difícil

    João 16,25–33

    confiança em formação
  15. 15

    Pedro: a queda, o olhar e o retorno

    Lucas 22,31–34.54–62 · João 21,15–19

    confiança em formação
  16. 16

    A notícia que ainda parecia impossível

    Lucas 24,1–12 · Marcos 16,9–20

    fé explicitamente questionada
  17. 17

    A esperança ferida encontra companhia

    Lucas 24,13–35

    fé explicitamente questionada
  18. 18

    A paz chega ao lugar do assombro

    Lucas 24,36–49 · João 20,19–23 · Marcos 16,14

    fé explicitamente questionada
  19. 19

    Tomé: da condição imposta à confissão

    João 20,24–29

    fé explicitamente questionada
  20. 20

    A missão confiada a uma fé ainda em caminho

    Mateus 28,16–20

    fé explicitamente questionada

As unidades são uma organização editorial, não uma cronologia exata nem um inventário de falhas pessoais. Alguns textos abrangem outros discípulos, além dos Doze; a identificação acompanha cada passagem.

01/ 20

Mateus 6,25–34 · Lucas 12,22–32

Quando o amanhã ocupa todo o coração

Os discípulos que escutam Jesus fé explicitamente questionada

A PASSAGEM COMPLETA

Bíblia Livre (BLIVRE)
Texto bíblico · versículos integrais

Mateus 6,25–34

25Por isso vos digo: não andeis ansiosos por vossa vida, sobre o que haveis de comer, ou que haveis de beber; nem por vosso corpo, sobre com que vos haveis de vestir. Não é a vida mais que o alimento, e o corpo mais que a roupa?

26Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e contudo vosso Pai celestial as alimenta. Não sois vós muito mais importantes que elas?

27E qual de vós poderá, por sua ansiedade, acrescentar um côvado à sua estatura?

28E por que andais ansiosos pela roupa? Prestai atenção aos lírios do campo, como crescem; eles nem trabalham nem fiam.

29Mas eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles.

30Se Deus veste desta maneira a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vestirá ele muito mais a vós, que tendes pouca fé?

31Não andeis, pois, ansiosos, dizendo: “Que comeremos?” Ou “Que beberemos?” Ou “Com que nos vestiremos?”

32Porque os gentios buscam todas estas coisas, e vosso Pai celestial sabe que necessitais destas coisas, todas elas.

33Mas buscai primeiramente o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

34Não andeis, pois, ansiosos pelo dia de amanhã, porque o amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.

Conferir esta passagem na fonte ↗

Lucas 12,22–32

22E disse a seus discípulos: Portanto vos digo, não estejais ansiosos por vossa vida, que comereis; nem pelo corpo, que vestireis.

23Mais é a vida que o alimento, e mais o corpo que o vestido.

24Considerai os corvos, que nem semeiam, nem ceifam; nem tem armazém, nem celeiro; e Deus os alimenta.

25E quem de vós pode, com sua ansiedade, acrescentar um côvado à sua altura?

26Pois, se não podeis nem mesmo com algo pequeno, por que estais ansiosos com o resto?

27Considerai os lírios, como crescem; não trabalham, nem fiam; e digo-vos, que nem mesmo Salomão, em toda sua glória, chegou a se vestir como um deles.

28E se assim Deus veste a erva, que hoje está no campo, e amanhá é lançada no forno, quanto mais vestirá a vós, homens de pouca fé?

29Vós, pois, não pergunteis que comereis, ou que bebereis; e não andeis preocupados.

30Porque todas estas coisas, os gentios do mundo as buscam; mas vosso Pai sabe que necessitais destas coisas.

31Mas buscai o Reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

32Não temas, ó pequeno rebanho; porque vosso Pai se agradou de dar a vós o Reino.

Conferir esta passagem na fonte ↗

O FIO DESTA PASSAGEM

A confiança aprende a receber o dia antes de carregar todos os dias.

Paráfrase editorial · Mateus 6,25–34 · Lucas 12,22–32

A presença de Jesus

Jesus lembra aos discípulos que o Pai conhece suas necessidades e os chama a buscar seu Reino. Em Lucas, dirige ao pequeno rebanho uma palavra de encorajamento.

Jesus fala de alimento, roupa e sustento, convidando os discípulos a confiar no cuidado do Pai. As aves e flores ilustram essa confiança, sem dispensar trabalho, partilha e cuidado mútuo.

O ensinamento alcança um grupo mais amplo que os Doze. A preocupação pode ocupar todo o horizonte; buscar o Reino ajuda a acolher cada dia, sem transformar ansiedade ou pobreza em medida de fé.

A passagem não autoriza tratar ansiedade, pobreza ou sofrimento psíquico como prova de pouca fé. Trata-se de um ensinamento aos discípulos, não de um diagnóstico de pessoas.

SETE ARTES NEχUS

Demorar o olhar.

Sete composições para esta passagem.
Abra uma obra para contemplar seus detalhes.

SEGUIR A LEITURAA tempestade e a presença que parecia silenciosa
02/ 20

Marcos 4,35–41 · Mateus 8,23–27

A tempestade e a presença que parecia silenciosa

Os discípulos no barco fé explicitamente questionada

A PASSAGEM COMPLETA

Bíblia Livre (BLIVRE)
Texto bíblico · versículos integrais

Marcos 4,35–41

35Naquele dia, chegando o entardecer, disse-lhes: Passemos para o outro lado.

36Então despediram a multidão, e o levaram consigo assim como estava no barco; mas havia também outros barquinhos com ele.

37E levantou-se uma grande tempestade de vento; as ondas atingiam por cima do barco, de maneira que já se enchia.

38Jesus estava na popa dormindo sobre uma almofada. Então despertaram-no, e disseram-lhe: Mestre, não te importas que pereçamos?

39Então ele se levantou, repreendeu o vento, e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te! E o vento se aquietou, e fez-se grande bonança.

40E perguntou-lhes: Por que sois tão covardes? Como não tendes fé?

41E ficaram muito atemorizados, e diziam uns aos outros: Quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem?

Conferir esta passagem na fonte ↗

Mateus 8,23–27

23Então ele entrou no barco, e seus discípulos o seguiram.

24E eis que se levantou no mar uma tormenta tão grande que o barco era coberto pelas ondas; porém ele dormia.

25E seus discípulos se aproximaram para acordá-lo, dizendo: Senhor, salva-nos! Estamos sendo destruídos!

26E ele lhes respondeu: Por que temeis, homens de pouca fé? Então ele se levantou e repreendeu os ventos e o mar. E houve grande calmaria.

27E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Quem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?

Conferir esta passagem na fonte ↗

O FIO DESTA PASSAGEM

O medo pode estreitar o olhar, mesmo quando Jesus está no barco.

Paráfrase editorial · Marcos 4,35–41 · Mateus 8,23–27

A presença de Jesus

Jesus se levanta, acalma a tempestade e dirige aos discípulos uma pergunta que os convida a aprofundar a fé.

No barco ameaçado, os discípulos despertam Jesus adormecido. A proximidade do Mestre não torna automática a confiança: o perigo desperta medo. Ainda assim, pedir socorro revela a quem recorrem em sua aflição.

Jesus acalma o mar e interroga sua fé. O espanto abre uma pergunta sobre quem ele é. Seus amigos continuam aprendendo: o medo pode anteceder a confiança sem apagar o vínculo de amor.

SETE ARTES NEχUS

Demorar o olhar.

Sete composições para esta passagem.
Abra uma obra para contemplar seus detalhes.

SEGUIR A LEITURACinco pães diante de uma multidão
03/ 20

João 6,1–15 · Marcos 6,30–44

Cinco pães diante de uma multidão

Filipe, André e os demais discípulos confiança em formação

A PASSAGEM COMPLETA

Bíblia Livre (BLIVRE)
Texto bíblico · versículos integrais

João 6,1–15

1Depois disto Jesus partiu para a outro lado do mar da Galileia, que é o de Tibérias.

2E uma grande multidão o seguia, porque viam seus sinais que ele fazia nos enfermos.

3E subiu Jesus ao monte, e sentou-se ali com seus discípulos.

4E já a Páscoa, a festa dos judeus, estava perto.

5Levantando pois Jesus os olhos, e vendo que uma grande multidão vinha a ele, disse a Filipe: De onde comparemos pães, para que estes comam?

6(Mas ele disse isto para o testar; pois ele bem sabia o que havia de fazer.)

7Respondeu-lhe Filipe: Duzentos dinheiros de pão não lhes bastarão, para que cada um deles tome um pouco.

8Disse-lhe um de seus discípulos, André, o irmão de Simão Pedro:

9Um menino está aqui que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto entre tantos?

10E disse Jesus: Fazei sentar as pessoas; e havia muita erva naquele lugar. Sentaram-se, pois, os homens, em número de cinco mil.

11E tomou Jesus os pães, e havendo dado graças, repartiu-os aos discípulos, e os discípulos aos que estavam sentados, semelhantemente também dos peixes, quanto queriam.

12E quando já estiveram fartos, disse ele a seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca.

13Então eles os recolheram, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobraram aos que tinham comido.

14Vendo, pois, aquelas pessoas o sinal que Jesus fizera, disseram: Este é verdadeiramente o Profeta que havia de vir ao mundo!

15Sabendo pois Jesus que viriam, e o tomariam, para fazê-lo rei, voltou a se retirar sozinho ao monte.

Conferir esta passagem na fonte ↗

Marcos 6,30–44

30Os apóstolos juntaram-se de volta a Jesus, e contaram-lhe tudo, tanto o que haviam feito, como o que haviam ensinado.

31E ele lhes disse: Vinde vós à parte a um lugar deserto, e descansai um pouco; pois havia muitos que iam e vinham, e não tinham tempo para comer.

32E foram-se num barco a um lugar deserto à parte.

33Mas as multidões os viram ir, e muitos o reconheceram. Então correram para lá a pé de todas as cidades, chegaram antes deles, e vieram para perto dele.

34Quando Jesus saiu do barco , viu uma grande multidão, e teve compaixão deles porque eram como ovelhas que não têm pastor. Assim, começou a lhes ensinar muitas coisas.

35E quando já era tarde, os seus discípulos vieram a ele, e disseram: O lugar é deserto, e a hora já é tarde.

36Despede-os, para eles irem aos campos e aldeias circunvizinhos, e comprarem pão para si; pois não têm o que comer.

37Mas ele respondeu: Dai-lhes vós mesmos de comer. E eles lhe responderam: Iremos, e compraremos duzentos denários de pão, para lhes darmos de comer?

38E ele lhes disse: Quantos pães tendes? Ide ver. Quando souberam, disseram: Cinco, e dois peixes.

39E mandou-lhes que fizessem sentar a todos em grupos sobre a grama verde.

40E sentaram-se repartidos de cem em cem, e de cinquenta em cinquenta.

41Ele tomou os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos ao céu, abençoou, e partiu os pães, e os deu aos seus discípulos, para que os pusessem diante deles. E os dois peixes repartiu com todos.

42Todos comeram e se saciaram.

43E dos pedaços de pão e dos peixes levantaram doze cestos cheios.

44Os que comeram os pães eram quase cinco mil homens.

Conferir esta passagem na fonte ↗

O FIO DESTA PASSAGEM

O pouco que conseguimos contar ainda pode entrar no cuidado de Deus.

Paráfrase editorial · João 6,1–15 · Marcos 6,30–44

A presença de Jesus

Jesus acolhe o alimento disponível, dá graças ou pronuncia a bênção conforme o relato, alimenta a multidão e envolve os discípulos no serviço.

Diante da multidão, Filipe calcula a dificuldade e André apresenta poucos pães e peixes. João diz que Jesus põe Filipe à prova; não chama essas respostas diretamente de incredulidade.

Os discípulos percebem limites reais e aprendem a colaborar. Em Marcos, recebem os pães para distribuir. As mãos que reconheciam a insuficiência passam a servir o dom: compreender ainda parcialmente não impede participar do cuidado.

A leitura da confiança em formação é uma aproximação editorial. O texto não apresenta a pergunta prática dos discípulos como uma declaração explícita de falta de fé.

SETE ARTES NEχUS

Demorar o olhar.

Sete composições para esta passagem.
Abra uma obra para contemplar seus detalhes.

SEGUIR A LEITURAPedro entre o passo e o pedido de socorro
04/ 20

Mateus 14,22–33

Pedro entre o passo e o pedido de socorro

Pedro e os discípulos no barco fé explicitamente questionada

A PASSAGEM COMPLETA

Bíblia Livre (BLIVRE)
Texto bíblico · versículos integrais

Mateus 14,22–33

22E logo Jesus mandou os seus discípulos entrarem no barco, e que fossem adiante dele para a outra margem, enquanto ele despedia as multidões.

23Depois de despedir as multidões, subiu ao monte, à parte, para orar. Tendo chegado a noite, ele estava ali sozinho.

24E o barco já estava no meio do mar, atormentado pelas ondas, porque o vento era contrário.

25Mas à quarta vigília da noite Jesus foi até eles, andando sobre o mar.

26Quando os discípulos o viram andar sobre o mar, apavoraram-se, dizendo: É um fantasma! E gritaram de medo.

27Mas Jesus logo lhes falou, dizendo: Tende coragem! Sou eu, não tenhais medo.

28E Pedro lhe respondeu, dizendo: Senhor, se és tu, manda-me vir a ti sobre as águas.

29E ele disse: Vem. Então Pedro desceu do barco e andou sobre as águas, para vir em direção a Jesus.

30Mas quando viu o vento forte, teve medo; e começando a afundar, gritou: Senhor, salva-me!

31Imediatamente Jesus estendeu a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?

32E quando subiram no barco, o vento se aquietou.

33Então os que estavam no barco vieram e o adoraram, dizendo: Verdadeiramente tu és o Filho de Deus.

Conferir esta passagem na fonte ↗

O FIO DESTA PASSAGEM

A mão que começa a afundar ainda pode se estender para Jesus.

Paráfrase editorial · Mateus 14,22–33

A presença de Jesus

Jesus chama Pedro, segura sua mão sem demora e o convida a reconhecer a dúvida que interrompeu seu passo.

Pedro confia e sai do barco. Diante do vento, sente medo, começa a afundar e pede socorro. Mateus reúne coragem, fragilidade e pedido de ajuda na mesma pessoa.

Jesus estende a mão imediatamente, segura Pedro e questiona sua pouca fé. O auxílio precede uma confiança perfeita. A cena termina com os discípulos adorando Jesus e reconhecendo sua filiação divina: a queda não encerra o caminho.

Entre os relatos de Jesus caminhando sobre o mar, é Mateus quem narra Pedro saindo do barco, afundando e sendo amparado.

SETE ARTES NEχUS

Demorar o olhar.

Sete composições para esta passagem.
Abra uma obra para contemplar seus detalhes.

SEGUIR A LEITURAA confiança que precisa aprender novamente
05/ 20

Marcos 8,1–10 · Mateus 15,32–39

A confiança que precisa aprender novamente

Os discípulos diante de outra multidão confiança em formação

A PASSAGEM COMPLETA

Bíblia Livre (BLIVRE)
Texto bíblico · versículos integrais

Marcos 8,1–10

1Naqueles dias, quando havia uma multidão muito grande, e não tinham o que comer, Jesus chamou os seus discípulos a si, e disse-lhes:

2Tenho compaixão da multidão, porque já há três dias que estão comigo, e não têm o que comer.

3E se eu os deixar ir sem comer para suas casas desmaiarão no caminho; porque alguns deles vieram de longe.

4Os seus discípulos lhe responderam: De onde poderá alguém saciar estes de pão aqui no deserto?

5Jesus lhes perguntou: Quantos pães tendes? E eles disseram: Sete.

6Então mandou à multidão que se sentassem no chão. Em seguida, tomou os sete pães, e tendo dado graças, partiu-os, e os deu a seus discípulos, para que os pusessem diante deles. E eles os puseram diante da multidão.

7E tinham uns poucos peixinhos, e havendo dado graças, disse que também os pusessem diante deles.

8Eles comeram, e se saciaram; e levantaram, do que sobrou dos pedaços, sete cestos.

9Os que comeram eram quase quatro mil. Depois os despediu.

10E logo entrou no barco com os seus discípulos, e veio para a região de Dalmanuta.

Conferir esta passagem na fonte ↗

Mateus 15,32–39

32Jesus chamou a si os seus discípulos, e disse: Estou compadecido com a multidão, porque já há três dias que estão comigo, e não têm o que comer. E não quero os deixar ir em jejum, para que não desmaiem no caminho.

33E os seus discípulos lhe responderam: De onde conseguiremos tantos pães no deserto, para saciar tão grande multidão?

34Jesus lhes perguntou: Quantos pães tendes? E eles disseram: Sete; e uns poucos peixinhos.

35Então mandou as multidões que se sentassem pelo chão.

36Tomou os sete pães e os peixes, deu graças e os partiu. Em seguida, ele os deu aos seus discípulos, e os discípulos à multidão.

37E todos comeram e se saciaram; e levantaram dos pedaços que sobraram sete cestos cheios.

38E foram os que comeram quatro mil homens, sem contar as mulheres e as crianças.

39Depois de despedir as multidões, Jesus entrou em um barco, e veio à região de Magdala.

Conferir esta passagem na fonte ↗

O FIO DESTA PASSAGEM

O que já recebemos nem sempre se torna confiança para o próximo passo.

Paráfrase editorial · Marcos 8,1–10 · Mateus 15,32–39

A presença de Jesus

Jesus manifesta compaixão pela multidão e envolve os discípulos na distribuição dos sete pães e dos peixes.

Diante de outra multidão faminta, os discípulos perguntam onde encontrar pão. Embora Marcos já tenha narrado outro sinal semelhante, esta pergunta permanece uma dificuldade prática, sem acusação explícita de incredulidade.

Jesus pergunta pelos alimentos disponíveis e os envolve novamente na distribuição. O serviço também educa a confiança. Recordar, amadurecer e recomeçar são necessidades humanas, mesmo depois de experimentar o cuidado que parecia impossível naquele momento.

Esta passagem não qualifica diretamente os discípulos como incrédulos. A relação entre memória e confiança aparece de modo mais explícito na conversa posterior sobre os pães.

SETE ARTES NEχUS

Demorar o olhar.

Sete composições para esta passagem.
Abra uma obra para contemplar seus detalhes.

SEGUIR A LEITURAQuando a preocupação encobre a memória
06/ 20

Mateus 16,5–12 · Marcos 8,14–21

Quando a preocupação encobre a memória

Os discípulos preocupados com os pães fé explicitamente questionada

A PASSAGEM COMPLETA

Bíblia Livre (BLIVRE)
Texto bíblico · versículos integrais

Mateus 16,5–12

5E quando os seus discípulos vieram para a outra margem, esqueceram-se de tomar pão.

6E Jesus lhes disse: Ficai atentos, e tende cuidado com o fermento dos fariseus e saduceus.

7E eles argumentaram entre si, dizendo: É porque não tomamos pão.

8Jesus percebeu, e disse-lhes: Por que estais argumentando entre vós mesmos, ó homens de pouca fé, que não tomastes pão?

9Ainda não entendeis, nem vos lembrais dos cinco pães dos cinco mil, e quantos cestos levantastes?

10Nem dos sete pães dos quatro mil, e quantos cestos levantastes?

11Como não entendeis que não foi pelo pão que eu vos disse para tomardes cuidado com o fermento dos fariseus e saduceus?

12Então entenderam que ele não havia dito que tomassem cuidado com o fermento de pão, mas sim, com a doutrina dos fariseus e saduceus.

Conferir esta passagem na fonte ↗

Marcos 8,14–21

14E os seus discípulos haviam se esquecido de tomar pão, e nada tinham, a não ser um pão com eles no barco.

15E Jesus lhes deu a seguinte ordem: Prestai atenção: tende cuidado com o fermento dos fariseus e o fermento de Herodes.

16E indagavam-se com os outros , dizendo: É porque não temos pão.

17Jesus soube e lhes disse: Por que indagais que não tendes pão? Não percebeis ainda, nem entendeis? Ainda tendes o vosso coração endurecido?

18Tendes olhos, e não vedes? Tendes ouvidos, e não ouvis?

19E não vos lembrais de, quando parti os cinco pães entre os cinco mil, quantos cestos cheios de pedaços levantastes?Responderam-lhe: Doze.

20E quando parti os sete entre os quatro mil, quantas cestas cheias de pedaços levantastes? Eles disseram: Sete.

21Ele lhes perguntou: Como não entendeis?

Conferir esta passagem na fonte ↗

O FIO DESTA PASSAGEM

A memória do cuidado recebido pode devolver profundidade ao olhar.

Paráfrase editorial · Mateus 16,5–12 · Marcos 8,14–21

A presença de Jesus

Jesus os faz recordar os pães e as sobras, e pergunta como ainda não compreendem o alcance de sua advertência.

Preocupados com o pão esquecido, os discípulos entendem literalmente a advertência sobre o fermento. Mateus menciona pouca fé; Marcos insiste na compreensão e na memória dos sinais recebidos.

Jesus os faz recordar os pães distribuídos. Mateus identifica o ensinamento dos fariseus e saduceus; Marcos menciona fariseus e Herodes. Preservadas essas diferenças, a cena mostra como a preocupação imediata pode estreitar a escuta e o discernimento.

Os dois evangelhos nomeiam interlocutores diferentes na imagem do fermento. Suas formulações são preservadas, sem transformá-las numa única fala.

SETE ARTES NEχUS

Demorar o olhar.

Sete composições para esta passagem.
Abra uma obra para contemplar seus detalhes.

SEGUIR A LEITURAA palavra difícil e a decisão de permanecer
07/ 20

João 6,60–71

A palavra difícil e a decisão de permanecer

Muitos discípulos e, em seguida, os Doze confiança em formação

A PASSAGEM COMPLETA

Bíblia Livre (BLIVRE)
Texto bíblico · versículos integrais

João 6,60–71

60Muitos pois de seus discípulos, ao ouvirem isto , disseram: Dura é esta palavra; quem a pode ouvir?

61Sabendo, pois, Jesus em si mesmo, que seus discípulos murmuravam disso, disse-lhes: Isto vos ofende?

62Que seria pois, se vísseis ao Filho do homem subir aonde estava primeiro?

63O Espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos digo são espírito e são vida.

64Mas há alguns de vós que não creem.Porque Jesus já sabia desde o princípio quem eram os que não criam, e quem era o que o entregaria.

65E dizia: Por isso tenho vos dito que ninguém pode vir a mim, se não lhe for concedido por meu Pai.

66Desde então muitos de seus discípulos voltaram atrás, e já não andavam com ele.

67Disse, então, Jesus aos doze: Por acaso também vós quereis ir?

68Respondeu-lhe pois Simão Pedro: Senhor, a quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna;

69E nós cremos e conhecemos que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.

70Jesus lhes respondeu: Por acaso não fui eu que vos escolhi, os doze? Porém um de vós é um diabo.

71E ele dizia isto de Judas de Simão Iscariotes; porque ele o entregaria, o qual era um dos doze.

Conferir esta passagem na fonte ↗

O FIO DESTA PASSAGEM

Mesmo sem dominar todo o mistério, a fé pode escolher permanecer.

Paráfrase editorial · João 6,60–71

A presença de Jesus

Jesus enfrenta a dificuldade da acolhida, dirige uma pergunta livre aos Doze e recebe de Pedro uma confissão de fé.

Muitos discípulos consideram difícil o ensinamento de Jesus e se afastam. Esse grupo não deve ser confundido com os Doze: o relato distingue os ouvintes mais amplos daqueles que recebem a pergunta seguinte.

Aos Doze, Jesus pergunta se desejam partir. Pedro responde com fé e permanece. Esta resposta é indispensável: seus amigos também demonstram confiança diante do mistério, e sua humanidade não se resume às vacilações.

Esta passagem mostra a partida de muitos discípulos e a permanência confessada por Pedro. Ela não sustenta a afirmação de que os Doze abandonaram Jesus nesse momento.

SETE ARTES NEχUS

Demorar o olhar.

Sete composições para esta passagem.
Abra uma obra para contemplar seus detalhes.

SEGUIR A LEITURAPedro ainda não compreende o caminho da cruz
08/ 20

Mateus 16,21–23 · Marcos 8,31–33

Pedro ainda não compreende o caminho da cruz

Pedro, diante do anúncio da Paixão confiança em formação

A PASSAGEM COMPLETA

Bíblia Livre (BLIVRE)
Texto bíblico · versículos integrais

Mateus 16,21–23

21Desde então Jesus começou a mostrar a seus discípulos que ele tinha que ir a Jerusalém, e sofrer muito pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes, e pelos escribas, e ser morto, e ser ressuscitado ao terceiro dia.

22E Pedro o tomou à parte, e começou a repreendê-lo, dizendo: Misericórdia de ti, Senhor! De maneira nenhuma isso te aconteça.

23Mas ele se virou, e disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás! Tu és um meio de tropeço, porque não compreendes as coisas de Deus, mas sim as humanas.

Conferir esta passagem na fonte ↗

Marcos 8,31–33

31E começou a lhes ensinar que era necessário que o Filho do homem sofresse muito, e fosse rejeitado pelos anciãos e pelos chefes dos sacerdotes e escribas, e que fosse morto, e depois de três dias ressuscitasse.

32Ele dizia essa palavra abertamente. Então Pedro o tomou à parte, e começou a repreendê-lo.

33Mas Jesus virou-se e, olhando para os seus discípulos, repreendeu Pedro, dizendo: Sai de diante de mim, satanás! Pois tu não compreendes as coisas de Deus, mas sim as humanas.

Conferir esta passagem na fonte ↗

O FIO DESTA PASSAGEM

Reconhecer o Messias também pede aprender o caminho que ele revela.

Paráfrase editorial · Mateus 16,21–23 · Marcos 8,31–33

A presença de Jesus

Jesus rejeita a resistência ao caminho anunciado e chama Pedro a deixar-se orientar pelo desígnio de Deus.

Depois de confessar Jesus como Messias, Pedro resiste ao anúncio da Paixão. Reconhecer o Mestre não significa compreender imediatamente sua missão. A fé professada ainda precisa transformar expectativas e modos de pensar.

Jesus o corrige com firmeza e o recoloca como discípulo. O texto contrasta o pensamento humano com o de Deus, sem explicar todas as intenções de Pedro. Sua confissão verdadeira continua precisando de formação.

A passagem descreve resistência ao anúncio da cruz. Ela não utiliza a expressão pouca fé; essa diferença é importante para não reduzir toda incompreensão à mesma categoria.

SETE ARTES NEχUS

Demorar o olhar.

Sete composições para esta passagem.
Abra uma obra para contemplar seus detalhes.

SEGUIR A LEITURAVer a glória e ainda precisar compreender
09/ 20

Marcos 9,2–13 · Mateus 17,1–13

Ver a glória e ainda precisar compreender

Pedro, Tiago e João compreensão em caminho

A PASSAGEM COMPLETA

Bíblia Livre (BLIVRE)
Texto bíblico · versículos integrais

Marcos 9,2–13

2Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago, e João, e os levou à parte, sozinhos, para um alto monte ; e transfigurou-se diante deles.

3E suas roupas ficaram resplandescentes, muito brancas como a neve , como nenhum lavadeiro na terra seria capaz de branquear.

4E apareceu-lhes Elias com Moisés, e falavam com Jesus.

5Então Pedro disse a Jesus: Mestre, é bom para nós estarmos aqui; façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés, e uma para Elias.

6Pois ele não sabia o que dizia, pois estavam assombrados.

7Então desceu uma nuvem, que os cobriu com a sua sombra, e veio uma voz da nuvem, que dizia: Este é meu Filho amado; a ele ouvi.

8De repente, quando olharam em redor, não viram mais ninguém, a não ser só Jesus com eles.

9Enquanto desciam do monte, Jesus lhes mandou que a ninguém contassem o que haviam visto, até que o Filho do homem ressuscitasse dos mortos.

10E eles guardaram o caso entre si, perguntando uns aos outros o que seria aquilo de “ressuscitar dos mortos”.

11Então lhe perguntaram: Por que os escribas dizem que Elias tem que vir primeiro?

12E ele lhes respondeu: De fato Elias vem primeiro, e restaura todas as coisas. Então, como está escrito sobre o Filho do homem tem que sofrer muito, e ser desprezado?

13Porém eu vos digo que Elias já veio, e fizeram-lhe tudo o que quiseram, como está escrito sobre ele.

Conferir esta passagem na fonte ↗

Mateus 17,1–13

1Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago, e seu irmão João, e os levou a sós a um monte alto.

2Então transfigurou-se diante deles; seu rosto brilhou como o sol, e suas roupas se tornaram brancas como a luz.

3E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele.

4Pedro, então, disse a Jesus: Senhor, bom é para nós estarmos aqui. Se queres, façamos aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés, e uma para Elias.

5Enquanto ele ainda estava falando, eis que uma nuvem brilhante os cobriu. E eis que uma voz da nuvem disse: Este é o meu Filho amado, em quem me agrado; a ele ouvi.

6Quando os discípulos ouviram, caíram sobre seus rostos, e tiveram muito medo.

7Jesus se aproximou deles, tocou-os, e disse: Levantai-vos, e não tenhais medo.

8E quando eles levantaram seus olhos, não viram a ninguém, a não ser a Jesus somente.

9E enquanto desciam do monte, Jesus lhes disse a seguinte ordem: Não conteis a visão a ninguém, até que o Filho do homem seja ressuscitado dos mortos.

10E os seus discípulos lhe perguntaram: Por que, então, os escribas dizem que Elias tem que vir primeiro?

11Jesus lhes respondeu: Em verdade Elias virá primeiro, e restaurará todas as coisas.

12Digo-vos, porém, que Elias já veio, mas não o reconheceram. Em vez disso fizeram dele tudo o que quiseram. Assim também o Filho do homem sofrerá por meio deles.

13Então os discípulos entenderam que ele lhes falara a respeito de João Batista.

Conferir esta passagem na fonte ↗

O FIO DESTA PASSAGEM

A luz recebida não dispensa o caminho paciente da escuta.

Paráfrase editorial · Marcos 9,2–13 · Mateus 17,1–13

A presença de Jesus

Na descida, Jesus orienta o testemunho dos discípulos e responde à pergunta sobre Elias, relacionando o caminho anunciado ao sofrimento.

Pedro, Tiago e João testemunham a transfiguração. Marcos registra seu assombro e a dificuldade de Pedro em saber o que dizer. A voz na nuvem os convida a escutar o Filho.

Na descida, ainda perguntam pelo significado da ressurreição. Ver e compreender não coincidem necessariamente. A passagem não os acusa de descrença: mostra pessoas alcançadas pela glória que continuam aprendendo a acolher o mistério recebido.

A ordem para escutar o Filho vem da voz na nuvem. O assombro e as perguntas dos três discípulos não são apresentados como uma declaração de incredulidade.

SETE ARTES NEχUS

Demorar o olhar.

Sete composições para esta passagem.
Abra uma obra para contemplar seus detalhes.

SEGUIR A LEITURAA missão também ensina a depender
10/ 20

Mateus 17,14–20 · Marcos 9,14–29

A missão também ensina a depender

Os discípulos, o menino e seu pai fé explicitamente questionada

A PASSAGEM COMPLETA

Bíblia Livre (BLIVRE)
Texto bíblico · versículos integrais

Mateus 17,14–20

14E quando chegaram à multidão, veio a ele um homem, que se ajoelhou diante dele, e disse:

15Senhor, tem misericórdia do meu filho, que é epilético, e sofre muito mal; porque cai muitas vezes no fogo, e muitas vezes na água.

16E eu o trouxe aos teus discípulos, mas não o puderam curar.

17Jesus respondeu: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos suportarei? Trazei-o a mim aqui.

18E Jesus o repreendeu. Então o demônio saiu dele, e o menino sarou desde aquela hora.

19Depois os discípulos se aproximaram de Jesus em particular, e perguntaram: Por que nós não o pudemos expulsar?

20E Jesus lhes respondeu: Por causa da vossa incredulidade; pois em verdade vos digo, que se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a este monte: “Passa-te daqui para lá”, E ele passaria. E nada vos seria impossível.

Conferir esta passagem na fonte ↗

Marcos 9,14–29

14E quando veio aos discípulos, ele viu uma grande multidão ao redor deles; e uns escribas estavam discutindo com eles.

15Logo que toda a multidão o viu, ficou admirada. Então correram a ele, e o cumprimentaram.

16Jesus perguntou aos escribas: O que estais discutindo com eles?

17E um da multidão respondeu: Mestre, trouxe a ti o meu filho, que tem um espírito mudo.

18E onde quer que o toma, faz-lhe ter convulsões, solta espuma, range os dentes, e vai ficando rígido. Eu disse aos teus discípulos que o expulsassem, mas não conseguiram.

19Jesus lhe respondeu: Ó geração incrédula! Até quando estarei ainda convosco? Até quando vos suportarei? Trazei-o a mim.

20Então trouxeram-no a ele. E quando o viu, logo o espírito o fez ter uma convulsão e, caindo em terra, rolava, e espumava.

21E perguntou ao seu pai: Quanto tempo há que isto lhe sobreveio? E ele lhe disse: Desde a infância.

22E muitas vezes o lançou também no fogo e na água para o destruir. Mas, se podes algo, tem compaixão de nós, e ajuda-nos.

23E Jesus lhe disse: Se podes crer, tudo é possível ao que crê.

24Logo o pai do menino, clamando, com lágrimas, disse: Creio, Senhor! Ajuda-me na minha incredulidade.

25Quando Jesus viu que a multidão corria e se ajuntava, repreendeu o espírito imundo, dizendo-lhe: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno, sai dele, e nunca mais entres nele!

26Então o espírito , gritando, e fazendo-o ter muita convulsão, saiu. E o menino ficou como morto, de maneira que muitos diziam que estava morto.

27Então Jesus o tomou pela mão, e o ergueu; e ele se levantou.

28E quando entrou em casa, seus discípulos lhe perguntaram à parte: Por que nós não conseguimos o expulsar?

29E lhes respondeu: Este tipo não pode sair por coisa alguma, a não ser com oração e jejum.

Conferir esta passagem na fonte ↗

O FIO DESTA PASSAGEM

A missão recebida não torna o discípulo independente de Deus.

Paráfrase editorial · Mateus 17,14–20 · Marcos 9,14–29

A presença de Jesus

Jesus acolhe a situação do menino, o liberta e ensina aos discípulos a dependência de Deus que acompanha sua missão.

Os discípulos não conseguem socorrer o menino e perguntam a Jesus por quê. Mateus destaca sua pouca fé; Marcos, a oração. A missão recebida continua exigindo dependência de Deus.

Jesus atende o menino. Em Marcos, o pedido de ajuda para a própria incredulidade pertence ao pai, não a um apóstolo. O limite dos discípulos jamais autoriza culpar quem sofre, sua família ou diagnosticar clinicamente a narrativa.

A súplica de Marcos 9,24 é do pai. Em Mateus 17,20, esta edição traz ‘incredulidade’; outras tradições textuais trazem ‘pouca fé’. A narrativa não autoriza diagnóstico clínico nem culpa de pessoas enfermas.

SETE ARTES NEχUS

Demorar o olhar.

Sete composições para esta passagem.
Abra uma obra para contemplar seus detalhes.

SEGUIR A LEITURAO anúncio que ainda não conseguem acolher
11/ 20

Marcos 9,30–32 · Lucas 9,43–45 · Mateus 17,22–23

O anúncio que ainda não conseguem acolher

Os discípulos que acompanham Jesus compreensão em caminho

A PASSAGEM COMPLETA

Bíblia Livre (BLIVRE)
Texto bíblico · versículos integrais

Marcos 9,30–32

30Depois partiram dali, e caminharam pela Galileia. Mas Jesus não queria que ninguém soubesse,

31Porque ensinava a seus discípulos, e lhes dizia: O Filho do homem será entregue em mãos de homens, e o matarão; e estando ele morto, ressuscitará ao terceiro dia.

32Mas eles não entendiam esta palavra, e temiam lhe perguntar.

Conferir esta passagem na fonte ↗

Lucas 9,43–45

43E todos ficaram perplexos com a grandeza de Deus. E enquanto todos se maravilhavam de tudo o que Jesus fazia, disse aos seus discípulos:

44“Ponde vós em vossos ouvidos estas palavras: que o Filho do homem será entregue nas mãos dos homens”.

45Mas eles não entendiam essa palavra, e era-lhes encoberta, para que não a compreendessem; e temiam perguntar-lhe sobre essa palavra.

Conferir esta passagem na fonte ↗

Mateus 17,22–23

22E enquanto eles estavam na Galileia, Jesus lhes disse: O Filho do homem será entregue em mãos de homens.

23E o matarão, e ele será ressuscitado ao terceiro dia.E eles se entristeceram muito.

Conferir esta passagem na fonte ↗

O FIO DESTA PASSAGEM

Há palavras que escutamos antes de conseguir compreender.

Paráfrase editorial · Marcos 9,30–32 · Lucas 9,43–45 · Mateus 17,22–23

A presença de Jesus

Jesus continua a ensinar aos discípulos o que acontecerá, unindo o anúncio de sua morte à promessa da ressurreição.

Jesus anuncia novamente sua morte e ressurreição. Marcos registra incompreensão e receio de perguntar; Lucas acrescenta que o sentido permanece encoberto. Mateus destaca a tristeza. Cada evangelho conserva sua formulação própria.

Essas dificuldades não equivalem automaticamente a recusar a fé. Pessoas próximas de Jesus ainda aprendem a acolher palavras decisivas. O Mestre continua ensinando: a convivência com o divino não elimina instantaneamente o processo humano.

Marcos e Lucas mencionam incompreensão e receio; Mateus 17,22–23 destaca a tristeza. Esses traços não são reunidos como se fossem uma transcrição única.

SETE ARTES NEχUS

Demorar o olhar.

Sete composições para esta passagem.
Abra uma obra para contemplar seus detalhes.

SEGUIR A LEITURAA caminho de Jerusalém
12/ 20

Lucas 18,31–34

A caminho de Jerusalém

Os Doze, chamados à parte compreensão em caminho

A PASSAGEM COMPLETA

Bíblia Livre (BLIVRE)
Texto bíblico · versículos integrais

Lucas 18,31–34

31E tomando consigo aos doze, disse-lhes: Eis que estamos subindo a Jerusalém, e se cumprirá no Filho do homem tudo o que está escrito pelos profetas.

32Porque ele será entregue aos gentios, e escarnecido, injuriado e cuspido.

33E depois de açoitá-lo, o matarão; e ao terceiro dia ressuscitará.

34E eles nada entendiam destas coisas; e esta palavra lhes era oculta; e não entendiam o que estava sendo lhes dito.

Conferir esta passagem na fonte ↗

O FIO DESTA PASSAGEM

Seguir o caminho pode preceder a compreensão de seu sentido.

Paráfrase editorial · Lucas 18,31–34

A presença de Jesus

Jesus aproxima os Doze, lhes fala do caminho para Jerusalém e anuncia também a ressurreição ao terceiro dia.

A caminho de Jerusalém, Jesus chama os Doze à parte e anuncia sofrimento, morte e ressurreição, conforme os profetas. Lucas insiste: eles não compreendem, e o sentido lhes permanece oculto.

Respeitar esse limite evita inventar uma recusa ausente do relato. Jesus continua lhes confiando sua palavra. Ser escolhido não significa entender imediatamente; acompanhar o Mestre também envolve a paciência de continuar escutando antes de compreender.

A insistência no sentido oculto e na incompreensão pertence à formulação de Lucas. Ela não é apresentada como fala idêntica dos outros evangelhos.

SETE ARTES NEχUS

Demorar o olhar.

Sete composições para esta passagem.
Abra uma obra para contemplar seus detalhes.

SEGUIR A LEITURATanto tempo juntos, tanto ainda por conhecer
13/ 20

João 14,1–11

Tanto tempo juntos, tanto ainda por conhecer

Tomé e Filipe, entre os discípulos fé explicitamente questionada

A PASSAGEM COMPLETA

Bíblia Livre (BLIVRE)
Texto bíblico · versículos integrais

João 14,1–11

1Não se perturbe vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.

2Na casa de meu Pai há muitas moradas; senão, eu vos diria; vou para vos preparar lugar.

3E quando eu for, e vos preparar lugar, outra vez virei, e vos tomarei comigo, para que vós também estejais onde eu estiver.

4E já sabeis para onde vou, e sabeis o caminho.

5Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?

6Jesus lhe disse: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.

7Se vós conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e desde agora já o conheceis, e o tendes visto.

8Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos ao Pai, e basta-nos.

9Jesus lhe disse: Tanto tempo há que estou convosco, e ainda não me tens conhecido, Filipe? Quem a mim tem visto, já tem visto ao Pai; e como dizes tu: Mostra-nos ao Pai?

10Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos falo, não as falo de mim mesmo, mas o Pai que está em mim, ele é o que faz as obras.

11Crede em mim que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim; e quando não, crede em mim por causa das próprias obras.

Conferir esta passagem na fonte ↗

O FIO DESTA PASSAGEM

A convivência se aprofunda quando a pergunta se abre ao reconhecimento.

Paráfrase editorial · João 14,1–11

A presença de Jesus

Jesus responde a Tomé sobre o caminho e convida Filipe a reconhecer, em suas palavras e obras, sua comunhão com o Pai.

Tomé pergunta pelo caminho; Filipe pede que Jesus mostre o Pai. As respostas são distintas: Jesus se revela como caminho a Tomé e pergunta a Filipe por que ainda não reconhece sua comunhão com o Pai.

Perguntar não constitui, por si só, falta de fé. A interpelação sobre crer dirige-se a Filipe. Mesmo a longa convivência pede acolher mais profundamente o significado das palavras e obras.

A relação explícita com o crer aparece na resposta a Filipe. A pergunta de Tomé sobre o caminho não recebe a mesma censura.

SETE ARTES NEχUS

Demorar o olhar.

Sete composições para esta passagem.
Abra uma obra para contemplar seus detalhes.

SEGUIR A LEITURAA fé professada diante da hora difícil
14/ 20

João 16,25–33

A fé professada diante da hora difícil

Os discípulos na despedida de Jesus confiança em formação

A PASSAGEM COMPLETA

Bíblia Livre (BLIVRE)
Texto bíblico · versículos integrais

João 16,25–33

25Estas coisas vos falei por parábolas; porém a hora vem quando não mais vos falarei por parábolas; mas vos falarei abertamente sobre o Pai.

26Naquele dia pedireis em meu nome; e não vos digo, que eu suplicarei ao Pai por vós.

27Pois o próprio Pai vos ama, porque vós me amastes, e crestes que eu saí de Deus.

28Saí do Pai, e vim ao mundo; novamente deixo o mundo, e vou ao Pai.

29Disseram-lhe seus Discípulos: Eis que agora falas abertamente, e nenhuma parábola dizes.

30Agora sabemos que sabes todas as coisas; e não necessitas que ninguém te pergunte. Por isso cremos que saíste de Deus.

31Respondeu-lhes Jesus: Agora credes?

32Eis que a hora vem, e já é chegada, quando sereis dispersos, cada um por si, e me deixareis só. Porém não estou só, porque o Pai está comigo.

33Estas coisas tenho vos dito para que tenhais paz em mim; no mundo tereis aflição; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.

Conferir esta passagem na fonte ↗

O FIO DESTA PASSAGEM

A sinceridade de uma promessa não nos torna imunes à fragilidade.

Paráfrase editorial · João 16,25–33

A presença de Jesus

Jesus anuncia a dispersão e, no mesmo ensinamento, oferece paz e coragem fundadas em sua vitória sobre o mundo.

Os discípulos afirmam que agora creem. Jesus anuncia, porém, que serão dispersos. A sinceridade da confissão não garante a firmeza imaginada diante da prova; confiança presente e fragilidade futura aparecem próximas.

Jesus também oferece paz e coragem. A correspondência com os relatos da prisão ajuda a meditar, sem fundir os evangelhos. Querer ser fiel pode coexistir com a necessidade de amparo que a dificuldade revela.

A relação com os relatos da prisão é uma correspondência editorial. João conserva aqui seu próprio diálogo de despedida e sua promessa de paz.

SETE ARTES NEχUS

Demorar o olhar.

Sete composições para esta passagem.
Abra uma obra para contemplar seus detalhes.

SEGUIR A LEITURAPedro: a queda, o olhar e o retorno
15/ 20

Lucas 22,31–34.54–62 · João 21,15–19

Pedro: a queda, o olhar e o retorno

Pedro, amparado e chamado novamente confiança em formação

A PASSAGEM COMPLETA

Bíblia Livre (BLIVRE)
Texto bíblico · versículos integrais

Lucas 22,31–34

31Disse também o Senhor: Simão, Simão; eis que Satanás vos pediu, para vos peneirar como trigo;

32Mas eu roguei por ti, que tua fé não se acabe; e quando tu te converteres, fortaleça teus irmãos.

33E ele lhe disse: Senhor, estou preparado para ir contigo até à prisão, e à morte.

34Mas ele disse: Pedro, eu te digo que hoje o galo não cantará, antes que me negues três vezes que me conheces.

Conferir esta passagem na fonte ↗

Lucas 22,54–62

54E prendendo-o, o trouxeram e o puseram na casa do sumo sacerdote. E Pedro o seguia de longe.

55E acenderam fogo no meio do pátio, e sentaram-se juntos, e Pedro se sentou entre eles.

56E uma serva, vendo-o sentado junto ao fogo, fixando o olhos nele, disse: Este também estava com ele.

57Porém ele o negou, dizendo: Mulher, eu não o conheço.

58E pouco depois, outro o viu, e disse: Também tu és um deles.

59E quando já tinha passado quase uma hora, outro afirmava, dizendo: Verdadeiramente também este estava com ele, porque também é galileu.

60E Pedro disse: Homem, não sei o que dizes.E logo, estando ele ainda falando, cantou o galo.

61E o Senhor, virando-se, olhou para Pedro; e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe tinha dito: Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes.

62E Pedro, saindo, chorou amargamente.

Conferir esta passagem na fonte ↗

João 21,15–19

15Havendo eles pois já jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão filho de Jonas, tu me amas mais do que estes outros ? Disse-lhes ele: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Alimenta meus cordeiros.

16Voltou a lhe a dizer a segunda vez: Simão, filho de Jonas, tu me amas? Disse-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta minhas ovelhas.

17Disse-lhe a terceira vez: Simão, filho de Jonas, tu me amas? Entristeceu-se Pedro de que já pela terceira vez lhe dissesse: Tu me amas? E disse-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo. Disse-lhe Jesus: Alimenta minhas ovelhas.

18Em verdade, em verdade te digo, que quando eras mais jovem, tu mesmo te vestias, e andava por onde querias; mas quando fores já velho, estenderás tuas mãos, e outro te vestirá, e te levará para onde tu não queres.

19E disse isto, fazendo entender que Pedro glorificaria a Deus com sua morte. E tendo dito isto, Jesus lhe disse: Segue-me.

Conferir esta passagem na fonte ↗

O FIO DESTA PASSAGEM

A queda não precisa ter a última palavra sobre o amor.

Paráfrase editorial · Lucas 22,31–34.54–62 · João 21,15–19

A presença de Jesus

Jesus reza por Pedro, anuncia seu retorno e lhe confia fortalecer os irmãos. Depois da ressurreição, renova seu chamado ao amor e ao cuidado.

Pedro promete acompanhar Jesus até a morte, mas depois nega conhecê-lo. Lucas recorda que Jesus rezou por sua fé. O canto do galo e o olhar do Senhor despertam memória e lágrimas.

A queda não extingue definitivamente sua história de fé. Em João 21, Jesus pergunta pelo amor e lhe confia o rebanho. São encontros diferentes, unidos pela trajetória de alguém novamente amado e chamado.

O olhar e o choro estão em Lucas; o diálogo junto ao lago está em João. A aproximação acompanha a trajetória de Pedro sem apresentar as cenas como um único episódio.

SETE ARTES NEχUS

Demorar o olhar.

Sete composições para esta passagem.
Abra uma obra para contemplar seus detalhes.

SEGUIR A LEITURAA notícia que ainda parecia impossível
16/ 20

Lucas 24,1–12 · Marcos 16,9–20

A notícia que ainda parecia impossível

Os apóstolos e os demais reunidos fé explicitamente questionada

A PASSAGEM COMPLETA

Bíblia Livre (BLIVRE)
Texto bíblico · versículos integrais

Lucas 24,1–12

1E no primeiro dia da semana, de madrugada bem cedo, foram ao sepulcro, levando consigo os materiais aromáticos que tinham preparado; e algumas outras junto delas.

2E acharam a pedra já revolvida do sepulcro.

3E entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus.

4E aconteceu, que estando elas perplexas, eis que dois homens apareceram junto a elas, com roupas luminosas.

5E estando elas com muito medo, e abaixando o rosto para o chão, eles lhes disseram: Por que buscam entre os mortos aquele que vive?

6Ele não está aqui, mas já ressuscitou. Lembrai-vos de como ele vos falou, quando ainda estava na Galileia,

7Dizendo: É necessário que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, e que seja crucificado, e ressuscite ao terceiro dia.

8E se lembraram das palavras dele.

9E, voltando do sepulcro, anunciaram todas estas coisas aos onze, e a todos os outros.

10E eram Maria Madalena, e Joana, e Maria mãe de Tiago, e as outras que estavam com elas, que diziam estas coisas aos apóstolos.

11E para eles, as palavras delas pareciam não ter sentido; e não creram nelas.

12Porém Pedro, levantando-se, correu ao sepulcro; e abaixando-se, viu os tecidos postos separadamente; e saiu maravilhado com o que tinha acontecido.

Conferir esta passagem na fonte ↗

Marcos 16,9–20

9E havendo ressuscitado pela manhã, no primeiro dia da semana, Jesus apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual havia expulsado sete demônios.

10Ela se foi, e anunciou aos que estiveram com ele, que estavam tristes e chorando.

11Quando ouviram que ele estava vivo, e que havia sido visto por ela, eles não creram.

12E depois ele apareceu em outra forma a dois deles, que estavam indo pelo caminho ao campo.

13E estes foram anunciar aos outros; mas também não creram neles.

14Finalmente ele apareceu aos onze, estando eles sentados juntos; e repreendeu pela incredulidade e dureza de coração deles, por não terem crido nos que já o haviam visto ressuscitado.

15E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura.

16Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.

17E estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas;

18pegarão serpentes com as mãos; e se beberem algo mortífero, não lhes fará dano algum; porão as mãos sobre os enfermos, e sararão.

19Então o Senhor, depois de haver lhes falado, foi recebido acima no céu, e sentou-se à direita de Deus.

20E eles saíram e pregaram por todas as partes, com o Senhor operando com eles, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiam. Amém.

Conferir esta passagem na fonte ↗

O FIO DESTA PASSAGEM

A esperança anunciada pode encontrar um coração que ainda não consegue crer.

Paráfrase editorial · Lucas 24,1–12 · Marcos 16,9–20

A presença de Jesus

Jesus não fala diretamente nesta cena de Lucas. Sua ressurreição é anunciada às mulheres, e o testemunho delas chega aos apóstolos.

As mulheres anunciam aos apóstolos o que ouviram e encontraram no sepulcro. Em Lucas, eles não acreditam. O relato preserva a iniciativa e os nomes das testemunhas, sem diminuir seu anúncio.

A notícia encontra uma acolhida ainda difícil. Não precisamos inventar uma explicação psicológica definitiva: aqueles que testemunharão a ressurreição também atravessaram essa distância entre ouvir e crer. Sua história mostra uma fé que amadurece.

Marcos 16,9–20 pertence ao final longo, recebido como canônico pela Igreja Católica e ausente de alguns manuscritos antigos importantes. Aqui ele é apresentado como testemunho paralelo, sem criar uma nova passagem independente.

SETE ARTES NEχUS

Demorar o olhar.

Sete composições para esta passagem.
Abra uma obra para contemplar seus detalhes.

SEGUIR A LEITURAA esperança ferida encontra companhia
17/ 20

Lucas 24,13–35

A esperança ferida encontra companhia

Cléofas e outro discípulo, não identificados entre os Doze fé explicitamente questionada

A PASSAGEM COMPLETA

Bíblia Livre (BLIVRE)
Texto bíblico · versículos integrais

Lucas 24,13–35

13E eis que dois deles iam naquele mesmo dia a uma aldeia, cujo nome era Emaús, que estava a sessenta estádios de distância de Jerusalém.

14E iam falando entre si de todas aquelas coisas que tinham acontecido.

15E aconteceu que, enquanto eles estavam conversando entre si, e perguntando um ao outro, Jesus se aproximou, e foi junto deles.

16Mas seus olhos foram retidos, para que não o reconhecessem.

17E disse-lhes: Que conversas são essas, que vós discutis enquanto andam, e ficais tristes?

18E um deles ,cujo nome era Cleofas, respondendo-o, disse-lhe: És tu o único viajante em Jerusalém que não sabe as coisas que nela tem acontecido nestes dias?

19E ele lhes disse: Quais?E eles lhe disseram: As sobre Jesus de Nazaré, a qual foi um homem profeta, poderoso em obras e em palavras, diante de Deus, e de todo o povo.

20E como os chefes dos sacerdotes, e nossos líderes o entregaram à condenação de morte, e o crucificaram.

21E nós esperávamos que ele fosse aquele que libertar a Israel; porém além de tudo isto, hoje é o terceiro dia desde que estas coisas aconteceram.

22Ainda que também algumas mulheres dentre nós nos deixaram surpresos, as quais de madrugada foram ao sepulcro;

23E não achando seu corpo, vieram, dizendo que também tinham visto uma aparição de anjos, que disseram que ele vive.

24E alguns do que estão conosco foram ao sepulcro, e o acharam assim como as mulheres tinham dito; porém não o viram.

25E ele lhes disse: Ó tolos, e que demoram no coração para crerem em tudo o que os profetas falaram!

26Por acaso não era necessário que o Cristo sofresse estas coisas, e então entrar em sua glória?

27E começando de Moisés, e por todos os profetas, lhes declarava em todas as Escrituras o que estava escrito sobre ele.

28E chegaram à aldeia para onde estavam indo; e ele agiu como se fosse para um lugar mais distante.

29E eles lhe rogaram, dizendo: Fica conosco, porque já é tarde, e o dia está entardecendo;E ele entrou para ficar com eles.

30E aconteceu que, estando sentado com eles à mesa ,tomou o pão, o benzeu, o partiu, e o deu a eles.

31E os olhos deles se abriram, e o reconheceram, e ele lhes desapareceu.

32E diziam um ao outro: Por acaso não estava nosso coração ardendo em nós, quando ele falava conosco pelo caminho, e quando nos desvendava as Escrituras?

33E levantando-se na mesma hora, voltaram para Jerusalém, e acharam reunidos aos onze, e aos que estavam com eles,

34Que diziam: Verdadeiramente o Senhor ressuscitou, e já apareceu a Simão.

35E eles contaram as coisas que lhes aconteceram no caminho; e como foi reconhecido por eles quando partiu o pão.

Conferir esta passagem na fonte ↗

O FIO DESTA PASSAGEM

Jesus pode caminhar conosco antes que consigamos reconhecê-lo.

Paráfrase editorial · Lucas 24,13–35

A presença de Jesus

Jesus se aproxima, escuta, explica as Escrituras e se deixa reconhecer ao partir o pão.

Cléofas e outro discípulo caminham para Emaús com a esperança abalada. Nenhum é identificado como membro dos Doze. Jesus se aproxima, mas seus olhos estão impedidos de reconhecê-lo.

Ele questiona a lentidão para crer nos profetas e explica as Escrituras. Reconhecido ao partir o pão, provoca o retorno a Jerusalém. A companhia e a escuta atravessam a dificuldade: a tristeza inicial não determina o destino.

Emaús pertence ao círculo dos discípulos, não a uma identificação comprovada dos Doze. O impedimento de reconhecer Jesus e a lentidão para crer são aspectos distintos do relato.

SETE ARTES NEχUS

Demorar o olhar.

Sete composições para esta passagem.
Abra uma obra para contemplar seus detalhes.

SEGUIR A LEITURAA paz chega ao lugar do assombro
18/ 20

Lucas 24,36–49 · João 20,19–23 · Marcos 16,14

A paz chega ao lugar do assombro

Os discípulos reunidos diante do Ressuscitado fé explicitamente questionada

A PASSAGEM COMPLETA

Bíblia Livre (BLIVRE)
Texto bíblico · versículos integrais

Lucas 24,36–49

36E enquanto eles falavam disto, o próprio Jesus se pôs no meio deles, e lhes disse: Paz seja convosco.

37E eles, espantados, e muito atemorizados, pensavam que viam algum espírito.

38E ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que sobem dúvidas em vossos corações?

39Vede minhas mãos, e os meus pés, que sou em mesmo. Tocai-me, e vede, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vós vedes que eu tenho.

40E dizendo isto, lhes mostrou as mãos e os pés.

41E eles, não crendo ainda, por causa da alegria, e maravilhados, Jesus disse-lhes: Tendes aqui alguma coisa para comer?

42Então eles lhe apresentaram parte de um peixe assado e de um favo de mel.

43Ele pegou, e comeu diante deles.

44E disse-lhes: Estas são as palavras que eu vos disse, enquanto ainda estava convosco, que era necessário que se cumprissem todas as coisas que estão escritas sobre mim na Lei de Moisés, nos profetas, e nos Salmos.

45Então ele lhes abriu o entendimento, para que entendessem as Escrituras.

46E disse-lhes: Assim está escrito, e assim era necessário que o Cristo sofresse, e que ao terceiro dia ressuscitasse dos mortos;

47E que em seu nome fosse pregado arrependimento e perdão de pecados em todas as nações, começando de Jerusalém.

48E destas coisas vós sois testemunhas.

49E eis que eu envio a promessa de meu Pai sobre vós; porém ficai vós na cidade de Jerusalém, até que vos seja dado poder do alto.

Conferir esta passagem na fonte ↗

João 20,19–23

19Vinda pois já a tarde, o primeiro dia da semana, e fechadas as portas onde os Discípulos, por medo dos judeus, tinham se reunido, veio Jesus, e pôs-se no meio deles ,e disse-lhes: Tenhais paz!

20E dizendo isto, mostrou-lhes suas mãos, e seu lado. Então os discípulos se alegraram, vendo ao Senhor.

21Disse-lhes pois Jesus outra vez: Tenhais Paz! Como o Pai me enviou, assim eu vos envio.

22E havendo dito isto, soprou sobre eles ,e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.

23A quem quer que perdoardes os pecados, lhes são perdoados; e a quem quer que vós retiverdes os pecados ,lhes são retidos.

Conferir esta passagem na fonte ↗

Marcos 16,14

14Finalmente ele apareceu aos onze, estando eles sentados juntos; e repreendeu pela incredulidade e dureza de coração deles, por não terem crido nos que já o haviam visto ressuscitado.

Conferir esta passagem na fonte ↗

O FIO DESTA PASSAGEM

A alegria pode ser tão grande que o coração ainda aprende a acolhê-la.

Paráfrase editorial · Lucas 24,36–49 · João 20,19–23 · Marcos 16,14

A presença de Jesus

Jesus oferece paz, se deixa reconhecer e prepara os discípulos para testemunhar. Em Lucas, abre-lhes o entendimento das Escrituras; em João, os envia e comunica o Espírito Santo.

Lucas relata espanto, dúvidas e uma alegria que ainda custa a acreditar diante do Ressuscitado. Jesus oferece sinais de sua realidade corporal. João destaca paz e alegria, preservando sua própria narrativa.

Esses testemunhos não exigem uma sequência artificialmente unificada. Jesus encontra os discípulos como estão, ajuda-os a compreender e os envia. Quem recebe a missão também necessita de acolhimento e instrução para reconhecer a vida nova.

Marcos 16,14 menciona a incredulidade dos reunidos; Lucas e João têm formulações próprias. São testemunhos paralelos aproximados, não uma harmonização que apague suas diferenças. Tomé está ausente da primeira aparição narrada em João 20.

SETE ARTES NEχUS

Demorar o olhar.

Sete composições para esta passagem.
Abra uma obra para contemplar seus detalhes.

SEGUIR A LEITURATomé: da condição imposta à confissão
19/ 20

João 20,24–29

Tomé: da condição imposta à confissão

Tomé e os discípulos reunidos fé explicitamente questionada

A PASSAGEM COMPLETA

Bíblia Livre (BLIVRE)
Texto bíblico · versículos integrais

João 20,24–29

24E a Tomé, um dos doze, chamado o Dídimo, não estava com eles, quando Jesus veio.

25Disseram-lhe pois os outros discípulos: Vimos ao Senhor. Porém ele lhes disse: Se em suas mãos não vir o sinal dos cravos, e não pôr meu dedo no lugar dos cravos, e não pôr minha mão em seu lado, em maneira nenhuma crerei.

26E oito dias depois, estavam os discípulos outra vez dentro, e com eles Tomé; e veio Jesus, fechadas já as portas, e pôs-se no meio, e disse: Tenhais paz!

27Depois disse a Tomé: Põe teu dedo aqui, e vê minhas mãos; e chega tua mão, e toca-a em meu lado; e não sejas incrédulo, mas sim crente.

28E respondeu Tomé e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu!

29Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados aqueles que não virem, e crerem.

Conferir esta passagem na fonte ↗

O FIO DESTA PASSAGEM

A condição que fechava o coração pode dar lugar a uma confissão de amor.

Paráfrase editorial · João 20,24–29

A presença de Jesus

Jesus volta ao encontro da comunidade, dirige-se a Tomé e o chama da incredulidade à fé, sem apagar as marcas de sua entrega.

Tomé não acolhe o testemunho dos outros sem exigir ver e tocar as feridas. Jesus retorna e responde à dificuldade expressa. A resistência é real, mas não define definitivamente o apóstolo.

Convidado a crer, Tomé reconhece seu Senhor e seu Deus. O texto não afirma que tenha tocado Jesus. A trajetória termina em confissão, e a bem-aventurança alcança também quem crê sem ter visto pessoalmente.

As imagens desta passagem são interpretações artísticas. O evangelho registra o convite ao toque e a confissão de Tomé, mas não afirma que ele tenha tocado Jesus.

SETE ARTES NEχUS

Demorar o olhar.

Sete composições para esta passagem.
Abra uma obra para contemplar seus detalhes.

SEGUIR A LEITURAA missão confiada a uma fé ainda em caminho
20/ 20

Mateus 28,16–20

A missão confiada a uma fé ainda em caminho

Os Onze, no monte da Galileia fé explicitamente questionada

A PASSAGEM COMPLETA

Bíblia Livre (BLIVRE)
Texto bíblico · versículos integrais

Mateus 28,16–20

16Os onze discípulos se foram para a Galileia, ao monte onde Jesus havia lhes ordenado.

17E quando o viram, o adoraram; porém alguns duvidaram.

18Jesus se aproximou deles, e lhes falou: Todo o poder me é dado no céu e na terra.

19Portanto ide, fazei discípulos a todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo,

20ensinando-lhes a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado. E eis que eu estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos. Amém.

Conferir esta passagem na fonte ↗

O FIO DESTA PASSAGEM

A presença prometida acompanha uma missão recebida por pessoas ainda em caminho.

Paráfrase editorial · Mateus 28,16–20

A presença de Jesus

Jesus se aproxima, anuncia sua autoridade, envia os Onze e lhes promete sua presença até o fim dos tempos.

No monte da Galileia, Mateus aproxima adoração e dúvida entre os Onze. Traduções frequentemente mencionam a hesitação de alguns; o relato não permite afirmar que todos rejeitaram a ressurreição.

Jesus se aproxima, envia e promete permanecer até o fim. A missão é confiada a pessoas ainda em caminho. Sua presença sustenta uma fidelidade que amadurece, sem exigir uma autossuficiência perfeita antes do serviço aos outros.

Adoração e dúvida aparecem próximas no texto. Isso não equivale a afirmar uma rejeição geral da ressurreição nem a medir a fé individual de cada um dos Onze.

SETE ARTES NEχUS

Demorar o olhar.

Sete composições para esta passagem.
Abra uma obra para contemplar seus detalhes.

A ESPERANÇA QUE NOS SUSTENTAChamados à plenitude

A FRAGILIDADE NÃO É NOSSO DESTINO FINAL

Chamados
à plenitude.

Deus nos chama a crescer no amor.
E a viver com ele.

Os apóstolos conheceram medo e dúvida, mas também responderam com fé, amor e serviço. Contemplar sua humanidade convida à gratidão e à conversão, sem julgá-los de longe.

Na fé católica, todos são chamados agora à santidade e à perfeição da caridade. A graça faz crescer; reconhecer fragilidades não significa permanecer necessariamente igual até o último dia.

O juízo particular ocorre na morte e distingue-se do Juízo Final. Quem está plenamente purificado vive com Cristo; outros necessitam de purificação. Os santos já estão com Deus antes do último juízo.

Esperamos a ressurreição dos mortos e a renovação da criação. A plenitude alcança a pessoa inteira, corpo e alma, e valoriza a dignidade e o cuidado vividos agora.

Viver como Deus nos quer para sua morada significa comunhão plena, transformados pela graça e pelo amor. Permanecemos criaturas, com identidade própria, sem nos tornarmos Deus por natureza.

PALAVRAS PARA LEVAR

O que permanece
conosco.

Adesão e confiança em Deus, recebidas como dom e vividas numa resposta que pode crescer.
Pouca fé
Expressão que Jesus usa em situações concretas; reconhece uma confiança ainda frágil, chamada a amadurecer.
Graça
O dom gratuito de Deus que nos precede, sustenta a conversão e torna possível responder ao seu amor.
Esperança
Confiança na promessa de Deus, sem presumir que já compreendemos tudo ou que jamais voltaremos a precisar de ajuda.

TEXTO, LEITURA E IMAGEM

Contemplar
com cuidado.

Os textos bíblicos são reproduzidos integralmente nos intervalos indicados, sem reescrita. Tradução: Bíblia Livre (BLIVRE), fevereiro de 2018 · edição Textus Receptus. © 2018 Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles. Uso conforme a Creative Commons Atribuição 4.0; créditos da edição.

As frases de reflexão são paráfrases editoriais. As notas da USCCB e o Catecismo fundamentam os comentários. As 140 artes são interpretações sintéticas NEχUS; seus rostos e materiais são escolhas artísticas.

Marcos 16,9–20 é o final longo, canônico na leitura católica e ausente de importantes manuscritos antigos. Os relatos paralelos preservam suas diferenças.

Conhecer a arte NEχUS